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Tetra-Neon
Tudo sobre o Tetra-Neon em Portugal: aquário ideal, parâmetros da água, cardume mínimo, companheiros, saúde, custos reais e dúvidas frequentes.

Ficha técnica
8 camposBacia do alto Amazonas — Peru, Colômbia e Brasil; rios de águas pretas e ácidas com pouca corrente
Pacífico, gregário, peixe de cardume obrigatório (mínimo 8-10 exemplares), activo na zona média do aquário, compatível com aquários comunitários calmos
Aquário 60 L mínimo (a partir de 60 cm de comprimento); 22-26 °C; pH 5,5-7,0; GH 1-10; bem plantado com zonas de sombra, troncos e folhas secas
2-4 € por exemplar
Tamanho comparado
comprimento, escala aproximada

Visão geral
O Tetra-Neon (Paracheirodon innesi) é um dos peixes de aquário mais reconhecíveis do mundo, graças à banda azul iridescente e à faixa vermelha que lhe atravessam o corpo. É pequeno, pacífico e vive em cardumes apertados, o que o torna uma escolha clássica para aquários comunitários plantados.
Apesar da fama de peixe "fácil", o neon é mais sensível do que parece: vem de águas amazónicas pretas, ácidas e moles, e sofre quando é colocado em aquários recém-montados ou com parâmetros instáveis. Em Portugal está disponível em praticamente todas as lojas de aquariofilia, mas a qualidade dos exemplares varia muito conforme a origem.
História e origem
O Tetra-Neon foi descrito cientificamente em 1936 por George S. Myers, depois de exemplares recolhidos no rio Putumayo terem chegado à Europa pelo aquariófilo francês Auguste Rabaut. Tornou-se rapidamente uma sensação na aquariofilia europeia e americana, e ainda hoje figura entre os peixes ornamentais mais exportados do planeta.
Quase todos os neons vendidos em lojas portuguesas são criados em cativeiro em pisciculturas do sudeste asiático (Tailândia, Indonésia) e da República Checa. A criação intensiva durante décadas tornou os exemplares comerciais mais frágeis do que os originais selvagens, com tendência para a chamada "doença do neon" (microsporidiose).
Características físicas
É um caracídeo minúsculo, com corpo fusiforme e ligeiramente comprimido lateralmente. A coloração é o cartão de visita: uma faixa azul-turquesa iridescente que vai do focinho até à barbatana adiposa, e uma faixa vermelha vibrante que ocupa a metade posterior do corpo. À noite, com pouca luz, a banda azul apaga-se e fica acinzentada — é normal.
- Tamanho adulto: 3 a 4 cm de comprimento padrão; raramente ultrapassa os 4,5 cm.
- Dimorfismo sexual: as fêmeas são ligeiramente maiores, com abdómen mais arredondado; a faixa azul nos machos tende a ser mais recta.
- Variedades: existe a forma "diamante" (com escamas iridescentes ao longo do dorso), a "long-fin" (barbatanas alongadas) e a "gold" (sem pigmento azul-turquesa). São menos comuns em Portugal e mais frágeis.
- Confusão frequente: é muitas vezes vendido como Tetra-Cardeal (Paracheirodon axelrodi), que é maior, com a faixa vermelha a ocupar todo o ventre — são espécies distintas.

Temperamento e comportamento
O Tetra-Neon é estritamente um peixe de cardume. Mantê-lo aos pares ou trios é um erro frequente: torna-se tímido, pára de se alimentar bem e tende a esconder-se. O mínimo aceitável são 8 a 10 exemplares; com 15 ou 20 o comportamento natural revela-se em pleno, com nado coordenado a meia-água e cores muito mais intensas.
É pacífico com qualquer companheiro do mesmo porte e temperamento. Não morde barbatanas, não defende território e nunca incomoda outros peixes. Em contrapartida, é presa fácil para ciclídeos médios, peixes-anjo adultos, bettas agressivos e bagres grandes — convém escolher os companheiros com prudência.
Cuidados (alimentação, exercício, grooming)
Aquário e parâmetros: mínimo 60 litros (60 cm de frente) para um cardume de 10 exemplares. Temperatura entre 22 e 26 °C — o neon não gosta de águas tropicais quentes acima de 27 °C, ao contrário do tetra-cardeal. pH idealmente entre 5,5 e 7,0, GH 1-10. Iluminação moderada, muitas plantas (musgo-de-java, Cryptocoryne, helanthium), troncos de mopani e folhas de catappa para acidificar e tingir levemente a água.
Filtração e manutenção: filtro com débito moderado (3-5 vezes o volume por hora) — neons não toleram correntes fortes. Trocas parciais de água (TPA) de 20-25 % por semana com água tratada com condicionador. Em zonas de Portugal com água da torneira muito dura (Algarve, Alentejo, partes da grande Lisboa), pode ser necessário misturar água de osmose inversa para baixar a dureza.
Alimentação: omnívoro com tendência micropredadora. Aceita flocos de qualidade triturados, micro-grânulos, e adora alimento vivo ou congelado: dáfnia, artémia, larva de mosquito branca, cyclops. Duas pequenas refeições por dia, sempre em quantidade que consigam comer em 1-2 minutos.
Companheiros de aquário: excelente com corydoras, otocinclos, rasboras-arlequim, ramirezi, killis pacíficos, camarões adultos (Neocaridina) e outros tetras pequenos. Evite ciclídeos territoriais, peixes-anjo, gouramis grandes, bettas machos e qualquer peixe com boca maior que o neon — serão considerados comida.
Saúde e esperança de vida
A maioria dos problemas que afectam o Tetra-Neon resulta de aquários mal ciclados, parâmetros instáveis ou exemplares de origem duvidosa. Quarentena de 2-3 semanas em aquário separado antes de introduzir novos peixes é fortemente recomendada. Cores apagadas, isolamento do cardume, respiração ofegante, raspagem contra a decoração e nado errático são sinais de alerta que merecem investigação imediata dos parâmetros da água.
- Doença do neon (Pleistophora hyphessobryconis): microsporidiose característica desta espécie. Manifesta-se com manchas esbranquiçadas no músculo, perda de cor na faixa vermelha e emagrecimento. É praticamente incurável e altamente contagiosa — exemplares afectados devem ser isolados.
- Íctio / ponto branco (Ichthyophthirius multifiliis): pequenos pontos brancos no corpo e barbatanas, frequentes após choques térmicos ou stress de transporte. Tratável com produtos específicos de loja e subida gradual da temperatura.
- Oodínio (doença do veludo): camada dourada/acinzentada fina sobre o corpo. Mais comum em águas alcalinas e duras inadequadas para a espécie.
- Podridão de barbatanas: bordos esfarrapados e esbranquiçados, normalmente bacteriana, associada a má qualidade de água.
- Intoxicação por amónia ou nitritos: brânquias avermelhadas, respiração rápida e mortes em série. Indica ciclo do azoto incompleto ou sobrelotação.
- Stress de aclimatação: os neons são particularmente sensíveis nos primeiros dias após a compra. Aclimatação por gotejamento durante 30-45 minutos reduz drasticamente as perdas.
Adequação (apartamento, crianças, outros animais)
Iniciantes: é uma espécie acessível, mas não deve ser o primeiro peixe a entrar num aquário novo. Recomenda-se ciclar o aquário durante 4 a 6 semanas, introduzir primeiro espécies mais robustas (como rasboras ou platys) e só depois adicionar o cardume de neons. Quem estiver disposto a estudar o ciclo do azoto antes de comprar peixes vai dar-se bem.
Aquário comunitário: excelente escolha para aquários plantados estilo amazónico ou comunitário pacífico. Combina visualmente com plantas verdes e troncos escuros, e o cardume cria movimento na zona média.
Espaço/volume mínimo: 60 litros (60×30×30 cm) para 10 exemplares. Aquários abaixo dos 40 L são desaconselhados — não há volume para diluir resíduos nem espaço para o cardume nadar.
Tempo de manutenção semanal: 30 a 45 minutos por semana para TPA, sifonagem do substrato, limpeza do vidro e verificação dos parâmetros. Mensalmente, mais 15-20 minutos para limpar o filtro com água do próprio aquário (nunca com água da torneira).
Custos em Portugal
Aquisição (peixe): em lojas portuguesas, o Tetra-Neon comum custa entre 2 € e 4 € por exemplar; um cardume inicial de 10 indivíduos sai por cerca de 25-35 €. As variedades diamante, gold e long-fin podem chegar aos 5-8 € cada. Compre sempre num lote do mesmo aquário da loja para reduzir o risco de doenças.
Setup inicial (aquário, filtro, aquecedor, iluminação, substrato): um conjunto adequado de 60 L em Portugal custa entre 120 € e 250 € (kit básico de marca conhecida com filtro interno, aquecedor de 100 W, iluminação LED, substrato fértil, areia e decoração). Para 100-120 L bem equipado, conte 250-400 €. Plantas vivas iniciais somam 20-50 €.
Mensal (alimentação, condicionadores, electricidade): 8 a 15 € por mês — alimento de qualidade (3-5 €), condicionador de água e fertilizante para plantas (2-4 €) e electricidade do filtro e aquecedor (3-6 €, dependendo da temperatura ambiente).
Manutenção e imprevistos: substituição de massas filtrantes a cada 6-12 meses (10-20 €), troca de lâmpada/LED a cada 2-3 anos (30-60 €), aquecedor de substituição (15-30 €) e medicação para doenças pontuais (10-25 € por episódio). Em zonas com água muito dura, água de osmose inversa em garrafão custa 1-2 € por cada 5 litros, ou compensa investir num pequeno equipamento de osmose doméstico (60-120 €).
Perguntas frequentes
O mínimo absoluto são 8 a 10 exemplares, mas o ideal é começar com 12 a 15. Em cardumes pequenos os neons ficam stressados, perdem cor e escondem-se. Quanto maior o cardume, mais natural o comportamento e mais intensas as cores.
Comparar com…
Veja Tetra-Neon lado a lado com outra raça: ficha técnica comparada e veredicto dimensão a dimensão.
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