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Tetra-Cardeal

Guia PT-PT do Tetra-Cardeal (Paracheirodon axelrodi): tamanho, parâmetros de aquário, cardume, saúde, compatibilidade e custos reais em Portugal.

Tetra-Cardeal
Ilustração Wikibicho, a partir de fotografia de CHUCAO · CC BY-SA 3.0

Ficha técnica

8 campos
Grupo
Caraciformes
Peso
Tamanho adulto: 4-5 cm
Altura
4-5 cm de comprimento padrão
Vida
4-6 anos em aquário bem mantido
Origem

Bacia do Rio Negro e Orinoco — Brasil, Colômbia e Venezuela. Habita águas pretas amazónicas, ácidas, escuras e ricas em taninos

Temperamento

Pacífico, peixe de cardume (mínimo 8-10 indivíduos), tímido em grupos pequenos, actividade moderada na zona média do aquário, excelente para aquários comunitários calmos

Exercício

Aquário 60 L mínimo (idealmente 80-100 L para um cardume); 23-27 °C; pH 4,5-6,8; GH 1-6 (água muito mole); muito plantado com madeira, folhas secas (catappa) e iluminação suave

Preço em Portugal

2-4 € por exemplar em loja de aquariofilia

Tamanho comparado

comprimento, escala aproximada
Guppy
Tetra-Cardeal
Disco
Guppy
4 cm
Tetra-Cardeal
5 cm
Disco
18 cm

Visão geral

O Tetra-Cardeal (Paracheirodon axelrodi) é, para muitos aquariófilos portugueses, o peixe de cardume mais bonito que se pode manter em aquário comunitário plantado. Distingue-se do mais conhecido Tetra-Neon por ter a faixa vermelha a estender-se ao longo de todo o corpo, e não apenas na metade posterior, o que lhe confere um brilho intenso quando nadando em grupo sob iluminação suave.

É uma espécie originária das águas pretas amazónicas, onde vive em cardumes de centenas de indivíduos entre raízes submersas e folhas em decomposição. Em Portugal, está disponível em praticamente todas as lojas de aquariofilia e é vendido a preço acessível, mas isso esconde uma exigência importante: precisa de água mole e ácida, e quase todos os exemplares vendidos são capturados na natureza, o que torna a aclimatização delicada.

História e origem

A espécie foi descrita cientificamente em 1956 por George S. Myers e Stanley H. Weitzman, sendo o nome específico axelrodi uma homenagem a Herbert R. Axelrod, conhecido divulgador da aquariofilia tropical. Ao contrário do Tetra-Neon (Paracheirodon innesi), que é hoje massivamente reproduzido em cativeiro no Sudeste Asiático e na Europa de Leste, a maioria dos Tetras-Cardeais comercializados continua a ser capturada na bacia do Rio Negro, no estado brasileiro do Amazonas. A pesca ornamental sustentável de cardeais (projecto Piaba) é, aliás, um dos raros casos em que a aquariofilia funciona como incentivo directo à conservação da floresta inundada.

Características físicas

O Tetra-Cardeal é um pequeno caracídeo de corpo fusiforme e comprimido lateralmente, atingindo cerca de 4 a 5 cm em adulto. As fêmeas tendem a ser ligeiramente mais robustas e com ventre mais arredondado, sobretudo quando em condição reprodutiva, mas o dimorfismo sexual é subtil e difícil de avaliar fora do cardume.

  • Faixa azul-iridescente que percorre todo o flanco, do focinho à base da cauda;
  • Faixa vermelha-vivo que se estende em paralelo, do olho até à cauda (no Neon, só vai do meio do corpo até trás);
  • Ventre branco-prateado e dorso translúcido com tons esverdeados;
  • Barbatanas pequenas, transparentes, sem coloração marcada;
  • Cor mais intensa em água ácida, escura e com taninos — em água dura e clara empalidece visivelmente.

Não existem variedades selectivas estáveis no mercado português; o que se vê são apenas exemplares selvagens da mesma forma natural.

Fotografia de Tetra-Cardeal
Fotografia: CHUCAO · CC BY-SA 3.0

Temperamento e comportamento

É um peixe estritamente de cardume. Mantido sozinho ou em grupos de 3 a 5 fica stressado, esconde-se permanentemente, perde cor e tem maior mortalidade. O mínimo aceitável é 8 a 10 indivíduos, e o ideal são 15 ou mais — só nessa altura mostra o comportamento natural de nadar em formação cerrada na zona média do aquário. É pacífico, não morde barbatanas e ignora completamente companheiros maiores desde que estes não o vejam como presa. A sua timidez recomenda iluminação difusa, plantação densa nas laterais e zonas abertas ao centro para o cardume circular.

Cuidados (alimentação, exercício, grooming)

Aquário e parâmetros: mínimo 60 L para 8-10 exemplares, idealmente 80-100 L. Temperatura entre 23 e 27 °C, pH ácido a ligeiramente ácido (4,5-6,8) e água muito mole (GH 1-6, KH 0-3). Água da rede em quase todo Portugal continental é demasiado dura para condições óptimas; muitos aquariófilos usam água da torneira misturada com água de osmose inversa, ou adicionam folhas de catappa, pinhas de amieiro e madeira para libertar taninos.

Filtração e manutenção: filtro com caudal moderado (não cria correntes fortes), bem ciclado antes de introduzir os peixes — o ciclo do azoto demora 4 a 6 semanas e nunca deve ser saltado. Trocas parciais semanais de 20-30 %, sempre com água à mesma temperatura e tratada com condicionador (Seachem Prime, JBL Biotopol ou equivalente, fáceis de encontrar em PT).

Alimentação: omnívoro com tendência micropredadora. Aceita escamas e granulado fino de qualidade (Tetra, Sera, JBL), mas agradece variedade com alimento congelado (artémia, dáfnia, larvas de mosquito) ou liofilizado, 1 a 2 vezes por dia em pequenas quantidades.

Companheiros de aquário: compatível com outras espécies pacíficas de águas moles — corydoras, otocinclus, ramirezi, acará-bandeira (em aquários grandes), rasboras, killis e camarões adultos. Evite ciclídeos territoriais grandes, barbos-sumatra (mordem barbatanas) e qualquer peixe que caiba na boca de um adulto, pois um cardeal cabe na boca de muitos.

Saúde e esperança de vida

A maior parte dos problemas de saúde em Tetras-Cardeais resulta de aquário mal ciclado, parâmetros incorrectos ou stress pós-transporte. São peixes selvagens delicados nos primeiros dias e exigem aclimatização lenta (gota a gota durante 30-60 minutos) e quarentena de pelo menos 2 semanas antes de juntar a um comunitário existente.

  • Íctio (ponto branco — Ichthyophthirius multifiliis): pontos brancos nas barbatanas e flancos, peixe a raspar-se na decoração; muito comum após stress.
  • Doença dos Neons (Pleistophora hyphessobryconis): microsporídio que causa manchas pálidas no flanco e perda progressiva de cor; sem tratamento eficaz, é fatal e exige eutanásia humanitária e remoção do peixe afectado.
  • Oodínio / doença do veludo: aparência poeirenta dourada sob luz oblíqua, brânquias aceleradas;
  • Podridão de barbatanas e fungos cotonosos: bordas das barbatanas esfiapadas ou tufos brancos algodonosos, geralmente secundários a má qualidade da água;
  • Intoxicação por amónia/nitrito: peixes ofegantes à superfície, brânquias muito vermelhas — quase sempre por aquário não ciclado ou sobrelotado;
  • Hidropisia: escamas eriçadas em forma de pinha e ventre inchado, prognóstico reservado.

Sinais de alerta a observar diariamente: peixes isolados do cardume, nadar de lado, recusa de alimento, brânquias hiperventiladas e cores muito apagadas. Compre sempre em lojas com tanques limpos, peixes activos e sem mortalidade visível, e evite levar exemplares acabados de chegar ao stock.

Adequação (apartamento, crianças, outros animais)

Iniciantes: não é o melhor peixe para uma estreia absoluta. É mais sensível a parâmetros do que o Tetra-Neon doméstico, o guppy ou o platy. Recomenda-se a quem já passou pelo menos um ciclo do azoto bem-sucedido com espécies mais tolerantes.

Aquário comunitário: excelente em comunitários de águas moles e ácidas, com peixes pacíficos do mesmo perfil. Não funciona bem em aquários duros e alcalinos típicos de viviparos (guppy/molly), embora sobreviva.

Espaço/volume mínimo: 60 L para um cardume básico de 8-10; abaixo disso o cardume não tem espaço para nadar e o peixe perde comportamento natural. Esqueça os mitos de "nano-aquários" de 20-30 L para cardumes — são insuficientes.

Tempo de manutenção semanal: 30 a 45 minutos para uma TPA (troca parcial de água) de 20-30 %, limpeza do vidro frontal, sifonagem leve do substrato e verificação de parâmetros (NO2, NO3, pH) com testes em gota.

Custos em Portugal

Aquisição (peixe): entre 2 e 4 € por exemplar em lojas de aquariofilia em Portugal; um cardume mínimo de 10 representa 20 a 40 €. Compre todos no mesmo dia e na mesma loja para reduzir o risco de patologias.

Setup inicial (aquário, filtro, aquecedor, iluminação, substrato): aquário kit de 60-100 L com filtro interno, aquecedor e iluminação LED ronda os 120-220 € em cadeias generalistas; um setup mais cuidado com filtro externo, iluminação plantada e substrato fértil sobe para 250-450 €. Acrescente 20-50 € em madeira, folhas de catappa e plantas vivas.

Mensal (alimentação, condicionadores, electricidade): alimento de qualidade dura meses (5-10 € repostos a cada 3-4 meses), condicionador de água e fertilizante líquido somam 4-8 €/mês, e a electricidade do filtro 24h + aquecedor ronda 4-8 €/mês em casa portuguesa típica. Total mensal realista: 8-18 €.

Manutenção e imprevistos: substituição de aquecedor (20-40 €) ou bomba do filtro (15-50 €) a cada poucos anos, medicação para íctio ou oodínio (10-20 € por tratamento), e eventualmente água de osmose comprada a granel em loja especializada (cerca de 0,30-0,50 €/litro) se a água da sua zona for muito dura.

Perguntas frequentes

No mínimo 8 a 10 indivíduos, idealmente 15 ou mais. É uma espécie estritamente de cardume e em grupos pequenos fica stressada, perde cor e adoece com mais frequência. Comprar 3 ou 4 "para experimentar" é um erro comum nas lojas portuguesas.

Comparar com…

Veja Tetra-Cardeal lado a lado com outra raça: ficha técnica comparada e veredicto dimensão a dimensão.

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