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Espadinha (Swordtail)
Tudo sobre a espadinha em PT: tamanho, parâmetros do aquário, companheiros compatíveis, reprodução, saúde e custos reais em Portugal.

Ficha técnica
8 camposAmérica Central — México, Guatemala, Honduras e Belize. Habita rios, ribeiros e nascentes de águas claras, com vegetação densa e correntes moderadas. As variedades de loja são selecções domésticas a partir de Xiphophorus hellerii.
Pacífico, activo, gregário; machos podem ser ligeiramente territoriais entre si; nadador de meio e topo; adequado a aquário comunitário
Aquário 80-100 L mínimo (recomendado 120 L para grupo); 22-26 °C; pH 7,0-8,2; GH 10-25 (água dura); plantação densa com zonas abertas para nadar e tampa bem fechada (saltam)
3-7 € por exemplar em variedades clássicas; 6-12 € em variedades seleccionadas (Koi, Pineapple, Wagtail, Lyretail)
Tamanho comparado
comprimento, escala aproximada


Visão geral
A espadinha, conhecida internacionalmente como swordtail e cientificamente como Xiphophorus hellerii, é um dos peixes vivíparos mais populares da aquariofilia mundial e uma presença habitual nas lojas portuguesas. O nome vem do prolongamento característico em forma de espada na barbatana caudal dos machos adultos, que pode atingir um terço do comprimento total do corpo.
É um peixe de manutenção relativamente simples, robusto e adequado a aquariófilos com alguma experiência básica — não é a melhor primeira escolha para um aquário de 30 L, mas adapta-se muito bem a comunitários de tamanho médio com água dura e alcalina, condições aliás típicas de muitas zonas de Portugal continental. Existe em dezenas de variedades de cor e forma criadas em cativeiro ao longo de mais de um século.
História e origem
A espécie foi descrita pela primeira vez em 1848 pelo naturalista austríaco Johann Jakob Heckel, a partir de exemplares recolhidos no México. Chegou ao mercado da aquariofilia europeia no início do século XX e rapidamente se tornou um dos peixes mais cruzados em selecção doméstica, juntamente com o platy (Xiphophorus maculatus), com o qual hibrida facilmente. A maioria das espadinhas vendidas hoje em Portugal são, na prática, híbridos seleccionados ao longo de gerações para acentuar cores e formas de cauda, e estão geneticamente longe das populações selvagens originais da América Central.
Características físicas
Corpo alongado e comprimido lateralmente, mais robusto que o do guppy. O macho adulto distingue-se da fêmea por dois traços muito claros: a 'espada' — extensão dos raios inferiores da barbatana caudal — e o gonopódio, uma barbatana anal modificada em forma de tubo, usada na reprodução interna. As fêmeas são maiores, mais corpulentas e sem espada nem gonopódio.
- Tamanho: machos 10-14 cm com a espada incluída; fêmeas 12-16 cm.
- Variedades de cor mais comuns em Portugal: vermelha clássica, Wagtail (corpo claro com barbatanas pretas), Tuxedo, Koi (branco/vermelho/preto), Pineapple, Marigold, Berlin, preto e verde selvagem.
- Variedades de barbatana: standard, Lyretail (com prolongamentos superiores e inferiores na cauda), Hi-fin (dorsal alongada) e simpson.
- Dimorfismo sexual: evidente a partir dos 4-6 meses, quando o macho desenvolve a espada e o gonopódio.
- Curiosidade: em grupos só com fêmeas, é possível que uma fêmea dominante desenvolva características masculinas — fenómeno raro mas documentado nesta espécie.

Temperamento e comportamento
É um peixe pacífico, activo e gregário, ideal para aquários comunitários. Nada quase sempre no terço superior e médio da coluna de água, exibindo-se entre plantas e zonas abertas. Não é um peixe de cardume rígido como os neons, mas vive muito melhor em grupo de pelo menos 5-6 indivíduos, com proporção recomendada de uma fêmea para cada macho, idealmente 2-3 fêmeas por macho. Quando há vários machos juntos sem fêmeas suficientes, podem perseguir-se constantemente e stressar uns aos outros, ainda que raramente cause feridas graves.
É compatível com a maioria dos peixes pacíficos de tamanho semelhante, mas pode ser intimidado por espécies muito agressivas ou comer alevins de outros peixes (incluindo os seus). Não convive bem com peixes nipadores de barbatanas como certos barbos-tigre, que destroem rapidamente a espada dos machos. Saltam com facilidade — uma tampa bem ajustada não é opcional.
Cuidados (alimentação, exercício, grooming)
Aquário e parâmetros: 80 L é o mínimo realista para um pequeno grupo; 100-120 L permite manter um harém bem dimensionado com companheiros. Temperatura entre 22 e 26 °C, pH 7,0-8,2 e dureza 10-25 GH. A água da torneira em grande parte do litoral português (Lisboa, Algarve, Setúbal) é naturalmente dura e alcalina, o que serve perfeitamente esta espécie sem necessidade de água de osmose. Plantação densa nas laterais e fundo, com uma zona aberta central para nadar; tampa bem fechada porque saltam com facilidade.
Filtração e manutenção: filtro com caudal equivalente a 4-6 vezes o volume do aquário por hora, sem corrente excessiva. Trocas parciais semanais de 25-30 % com condicionador para neutralizar cloro e cloraminas. Sifonar o substrato a cada troca. Antes de introduzir os primeiros peixes, ciclar o aquário durante 4-6 semanas para estabelecer a colónia bacteriana que converte amónia em nitritos e estes em nitratos.
Alimentação: omnívoros com tendência herbívora. Base de escamas ou granulado de qualidade para vivíparos, complementada com vegetais escaldados (curgete, espinafres, ervilhas sem pele) e proteína viva ou congelada (artémia, dáfnia, larva de mosquito) duas a três vezes por semana. Alimentar 1-2 vezes por dia em pequenas porções consumidas em 2 minutos.
Companheiros de aquário: excelente com platys, mollys, corydoras, otocinclus, rasboras, danios zebra, tetras pacíficos e camarões adultos (alevins de camarão são predados). Evitar bettas machos, barbos-tigre, ciclídeos territoriais e qualquer peixe agressivo ou nipador.
Saúde e esperança de vida
É uma espécie robusta, mas a maioria dos problemas em casa de aquariófilos portugueses começa em parâmetros instáveis, sobrelotação ou falta de ciclagem. Manter os parâmetros estáveis, fazer quarentena de 2-3 semanas para todos os peixes novos num aquário separado e nunca confiar a 100 % nos peixes que chegam a casa diretamente da loja são as três medidas que evitam a maioria das doenças.
- Íctio (ponto branco — Ichthyophthirius multifiliis): pequenos pontos brancos no corpo e barbatanas; o peixe raspa-se contra decoração. Frequente após mudanças bruscas de temperatura.
- Podridão de barbatanas: bordos esfiapados e esbranquiçados, sobretudo na espada do macho. Quase sempre ligada a má qualidade de água.
- Oodínio (doença do veludo): película dourada/poeirenta no corpo, respiração acelerada. Mais difícil de detectar que o íctio.
- Hidropisia: escamas eriçadas em forma de pinha, abdómen muito inchado. Sinal grave, prognóstico reservado.
- Intoxicação por amónia/nitritos: brânquias muito vermelhas, peixe a ofegar à superfície, letargia. Típica de aquário não ciclado ou sobrelotado.
- Tuberculose dos peixes (Mycobacterium): emagrecimento progressivo, deformações da coluna; sem cura prática, exige eutanásia humanitária e desinfeção do aquário.
Sinais de alerta gerais: peixe isolado, recusa alimentar, nadar de lado, escamas eriçadas, brânquias muito agitadas ou raspar-se contra plantas e decoração. Em qualquer destes casos, testar imediatamente amónia, nitritos, nitratos e pH antes de medicar.
Adequação (apartamento, crianças, outros animais)
Iniciantes: recomendável para iniciantes com algum estudo prévio. É tolerante, mas não dispensa o ciclo do azoto nem um aquário de tamanho adequado — não é peixe para 'bowl' nem para aquários inferiores a 60 L. Em água dura portuguesa, é uma escolha quase tão fácil como o platy ou o guppy.
Aquário comunitário: excelente. É um dos peixes mais sociáveis do hobby, ocupa o terço superior e dá movimento e cor ao aquário sem perturbar os habitantes do fundo.
Espaço/volume mínimo: 80 L para um pequeno harém (1 macho + 3 fêmeas); 100-120 L para um grupo confortável com companheiros. Aquário rectangular comprido é preferível a alto, porque são nadadores activos.
Tempo de manutenção semanal: 30-45 minutos para troca parcial de água (25-30 %), sifonagem do substrato, limpeza do vidro frontal e teste rápido de parâmetros. Mais 5 minutos diários para alimentação e observação. Mensalmente, limpar o material filtrante na água retirada do aquário (nunca em água da torneira).
Custos em Portugal
Aquisição (peixe): 3-7 € por exemplar em variedades clássicas (vermelha, Wagtail, preta) em lojas de aquariofilia em Portugal; 6-12 € em variedades seleccionadas como Koi, Pineapple, Lyretail ou Hi-fin. Para um harém inicial de 1 macho + 3 fêmeas, conte com 15-40 €.
Setup inicial (aquário, filtro, aquecedor, iluminação, substrato): 150-350 € para um aquário equipado de 80-120 L. Inclui aquário com tampa, filtro interno ou de mochila adequado ao volume, aquecedor de 100-150 W com termóstato, calha LED simples, substrato (gravilha ou areia), troncos, decoração e condicionador de água. Marcas mid-range com kit completo rondam 180-250 € em loja física.
Mensal (alimentação, condicionadores, electricidade): 8-15 € — alimento (1 embalagem de 100 g dura 2-3 meses), condicionador de água, eventual fertilizante para plantas e o consumo eléctrico do filtro 24h e do aquecedor (mais notório no Inverno, sobretudo no Norte e Interior).
Manutenção e imprevistos: 50-150 € por ano — substituição de material filtrante, lâmpada LED ao fim de 2-3 anos, eventual aquecedor avariado (causa frequente de perdas em massa), medicação para íctio ou podridão de barbatanas (10-20 € por tratamento) e reposição de plantas. Conte ainda com 1-2 € por mês se optar por água de osmose engarrafada — geralmente desnecessária para esta espécie em Portugal.
Perguntas frequentes
80 litros para um pequeno harém de 1 macho e 3 fêmeas, idealmente 100-120 litros num aquário comprido. São nadadores activos e crescem mais do que parece nos primeiros meses — fêmeas adultas chegam aos 14-16 cm. Aquários abaixo de 60 litros são inadequados, mesmo para juvenis.
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