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Coridora-Paleatus

Tudo sobre a Coridora-Paleatus: tamanho, parâmetros do aquário, cardume mínimo, alimentação, saúde e custos em Portugal. Ficha PT-PT 2026.

Coridora-Paleatus
Ilustração Wikibicho, a partir de fotografia de NiKo at German Wikipedia · Public domain

Ficha técnica

8 campos
Grupo
Siluriformes
Peso
Tamanho adulto: 5-7 cm
Altura
5-7 cm
Vida
5-10 anos em aquário bem mantido
Origem

Sul do Brasil, Uruguai e norte da Argentina — bacias do rio da Prata e afluentes do Paraná, em águas calmas, frescas e pouco profundas

Temperamento

Pacífica, gregária obrigatória (cardume mínimo de 6), activa durante o dia, excelente para aquário comunitário

Exercício

Aquário 80 L mínimo (a partir de 80 cm de comprimento); 18-24 °C (espécie de água fresca!); pH 6,5-7,5; GH 2-15; substrato fino e arredondado (areia ou cascalho muito fino), zonas plantadas e esconderijos

Preço em Portugal

4-8 € por exemplar em loja de aquariofilia

Tamanho comparado

comprimento, escala aproximada
Guppy
Coridora-Paleatus
Disco
Guppy
4 cm
Coridora-Paleatus
6 cm
Disco
18 cm

Visão geral

A Coridora-Paleatus (Corydoras paleatus), também chamada coridora-pimenta ou coridora-malhada, é uma das espécies mais populares da família Callichthyidae e foi uma das primeiras coridoras a ser criada em massa em cativeiro. Tem um corpo robusto, coberto por placas ósseas em vez de escamas, três pares de barbilhos sensoriais junto à boca e um padrão mosqueado em tons de bege, verde-oliva e cinzento que lhe dá excelente camuflagem sobre substratos claros.

É frequentemente vendida em Portugal como peixe "limpa-fundo", mas essa designação é enganadora: a coridora não come algas nem restos esquecidos por outros peixes. Precisa da sua própria alimentação, dirigida ao fundo, e de um cardume de pelo menos seis indivíduos para se sentir segura. Quando bem cuidada, é um dos peixes de aquário comunitário mais expressivos e divertidos de observar, com comportamentos sociais marcados e uma esperança de vida que pode ultrapassar os oito anos.

História e origem

A Coridora-Paleatus foi descrita por Thomas Jenyns em 1842, a partir de exemplares recolhidos por Charles Darwin durante a viagem do HMS Beagle pelos rios do Uruguai e Argentina — é, portanto, uma das coridoras com mais história científica documentada. Habita naturalmente águas frescas e pouco profundas das bacias do Paraná e do rio da Prata, onde forma cardumes grandes sobre fundos arenosos.

Foi também uma das primeiras espécies tropicais a reproduzir-se com sucesso em aquariofilia europeia, ainda no início do século XX, o que tornou a sua manutenção barata e popular. Hoje, praticamente todos os exemplares vendidos em lojas portuguesas provêm de criadores comerciais do Sudeste Asiático ou da Europa de Leste, e existem já variedades selecionadas como a paleatus-albina e a paleatus-de-véu (com barbatanas mais longas).

Características físicas

A Coridora-Paleatus tem um corpo curto e arredondado, com cerca de 5 a 7 cm em adulto, coberto por duas filas de placas ósseas (daí pertencer aos chamados "peixes-gato couraçados"). A coloração de base é cinzento-esverdeada com manchas escuras irregulares e reflexos metálicos azulados ou esverdeados nos flancos, dependendo da iluminação. As barbatanas são translúcidas com pontuações escuras.

  • Tamanho adulto: 5-6 cm nos machos, 6-7 cm nas fêmeas.
  • Dimorfismo sexual: visível em adultos — fêmeas maiores, mais largas vistas de cima e com ventre arredondado; machos mais pequenos, esguios e com primeiro raio da barbatana dorsal mais pontiagudo.
  • Barbilhos: três pares ao redor da boca, usados para procurar comida no substrato; podem desgastar-se em cascalho áspero.
  • Variedades em PT: forma selvagem (mosqueada), albina (corpo branco-rosado com olhos vermelhos) e véu/longfin (barbatanas alongadas).
  • Espinhos defensivos: tem espinhos serrilhados nas barbatanas peitorais e dorsal — cuidado ao manusear com rede, pois prendem-se facilmente.
Fotografia de Coridora-Paleatus
Fotografia: NiKo at German Wikipedia · Public domain

Temperamento e comportamento

É uma espécie extremamente pacífica, sociável e activa, especialmente durante o dia — ao contrário de muitas coridoras mais tímidas, a paleatus passa grande parte do tempo a explorar o substrato à vista. Não é territorial nem agressiva com nenhuma outra espécie, e mesmo entre machos em época reprodutiva os "conflitos" resumem-se a perseguições rápidas e sem dano.

É um peixe de cardume obrigatório: deve ser mantida em grupos de pelo menos seis indivíduos, idealmente oito a dez. Sozinhas ou em pares ficam stressadas, escondem-se permanentemente e têm esperança de vida muito reduzida. Em cardume formam comportamentos coordenados — sobem juntas à superfície para respirar ar atmosférico (têm respiração intestinal acessória, é normal!) e procuram alimento em conjunto. É das melhores escolhas para aquários comunitários com tetras, rasboras, guppys, platys e mollys.

Cuidados (alimentação, exercício, grooming)

Aquário e parâmetros: volume mínimo de 80 litros (aquário a partir de 80 cm de comprimento) para um cardume de seis. A temperatura ideal é 20-24 °C — esta é uma espécie de água fresca, frequentemente mantida demasiado quente em Portugal. No Verão, sobretudo no Sul, pode ser necessário arrefecer com ventoinha de superfície. pH entre 6,5 e 7,5, dureza moderada (GH 2-15). O substrato é crítico: areia fina ou cascalho muito arredondado, nunca cascalho aguçado que destrói os barbilhos.

Filtração e manutenção: filtro com caudal moderado (não cria bem em correntes fortes); a coridora é sensível a nitratos elevados e a má qualidade de água. Trocas parciais de água (TPA) de 25-30 % semanais, com sifonagem do fundo para retirar restos de comida. O ciclo do azoto deve estar completo antes de introduzir os peixes (4-6 semanas com bactérias nitrificantes). Use sempre condicionador para neutralizar o cloro da água da torneira.

Alimentação: omnívora de fundo. Pellets ou pastilhas que afundem rapidamente, complementados com alimento congelado (artémia, larvas de mosquito, tubifex) e vegetais escaldados (curgete, ervilhas sem pele) duas a três vezes por semana. Não confie que comem o que sobra dos outros — alimente-as directamente, idealmente à noite com as luzes apagadas se houver competidores rápidos no aquário.

Companheiros de aquário: excelente em comunitários com tetras-neon, tetras-cardeal, rasboras-arlequim, danios-zebra, guppys, platys e outras coridoras. Evite ciclídeos territoriais (acarás, oscars), peixes grandes que possam tentar comê-las e barbos-sumatra que mordiscam barbilhos. Não combine com peixes de águas muito quentes (disco, ramirezi) — a temperatura ideal é incompatível.

Saúde e esperança de vida

A Coridora-Paleatus é robusta quando os parâmetros estão correctos, mas é particularmente sensível a problemas de substrato e qualidade da água. A maioria das doenças tem origem em ciclo do azoto incompleto, temperatura excessiva ou cascalho inadequado.

  • Íctio (ponto branco — Ichthyophthirius multifiliis): pequenos pontos brancos no corpo e barbatanas, raspar contra decoração. Comum após stress ou variações de temperatura. Tratável com medicação específica e subida gradual de temperatura.
  • Erosão dos barbilhos: barbilhos curtos, irregulares ou inflamados, geralmente por cascalho áspero ou substrato sujo. Reversível se a causa for corrigida cedo.
  • Intoxicação por amónia/nitrito: peixes ofegantes à superfície, brânquias avermelhadas, letargia. Resulta de aquário não ciclado ou sobrelotação — TPA imediatas e teste de parâmetros.
  • "Doença vermelha das coridoras": manchas avermelhadas no ventre e barbatanas, frequentemente associada a má qualidade de água crónica.
  • Podridão de barbatanas: bordos esfarrapados e esbranquiçados das barbatanas, causada por bactérias oportunistas em água suja.
  • Sinais de alerta: nadar de lado, isolamento do cardume, respiração acelerada, recusa de comida durante mais de dois dias, escamas eriçadas (hidropisia, prognóstico reservado).

Faça quarentena de pelo menos três semanas a peixes novos num aquário separado antes de os juntar ao cardume principal e compre sempre em lojas com aquários limpos e peixes activos.

Adequação (apartamento, crianças, outros animais)

Iniciantes: sim, é uma das melhores espécies para começar, desde que respeite o cardume de seis e o substrato adequado. É tolerante a pequenas variações de parâmetros, come quase tudo e raramente adoece se a manutenção for regular.

Aquário comunitário: excelente — ocupa o fundo sem competir com peixes de meio ou superfície, e a sua actividade dá vida a uma zona normalmente vazia do aquário.

Espaço/volume mínimo: 80 litros para seis exemplares (aquário com pelo menos 80 cm de frente, mais importante que a altura — precisam de zona de fundo larga para explorar). Aquários de 30-40 L vendidos como "comunitários para iniciantes" não servem para esta espécie.

Tempo de manutenção semanal: 30-45 minutos para TPA de 25-30 %, sifonagem do fundo, limpeza do vidro e teste de parâmetros (pH, amónia, nitritos, nitratos) com kit de gotas. A cada 4-6 semanas, limpeza parcial das esponjas do filtro em água do próprio aquário (nunca da torneira, mata as bactérias).

Custos em Portugal

Aquisição (peixe): 4-8 € por exemplar em loja de aquariofilia em Portugal, ou 6-12 € nas variedades albina e véu. Para um cardume de seis, conte com 25-50 €. Procure lojas especializadas com aquários bem mantidos — peixes baratos de hipermercado vêm frequentemente stressados e doentes.

Setup inicial (aquário, filtro, aquecedor, iluminação, substrato): 150-350 € para um aquário 80-120 L equipado de raiz: aquário com móvel (80-180 €), filtro externo ou interno potente (40-90 €), aquecedor com termóstato (15-30 €), iluminação LED (30-80 €), areia fina ou cascalho arredondado (15-30 €), decoração e plantas naturais (20-60 €), kit de teste de parâmetros (15-25 €).

Mensal (alimentação, condicionadores, electricidade): 10-20 € — pellets de fundo e alimento congelado (5-8 €), condicionador de água (2-4 €), electricidade do filtro 24h e aquecedor sazonal (4-10 € consoante a estação e a tarifa).

Manutenção e imprevistos: substituição de cargas filtrantes (esponjas, carvão activado) 20-40 €/ano, lâmpada LED de substituição a cada 2-3 anos (30-60 €), aquecedor avariado (20-40 €), eventual medicação contra íctio ou bactérias (10-25 € por tratamento). Reserve 50-100 €/ano para imprevistos.

Perguntas frequentes

No mínimo seis, idealmente oito a dez. É uma espécie de cardume obrigatório — sozinhas ou em pares ficam stressadas, escondem-se permanentemente e a esperança de vida cai drasticamente. Em grupo mostram comportamentos sociais fascinantes e ocupam o fundo com confiança.

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