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Periquito-de-Colar
Tudo sobre o Periquito-de-Colar em Portugal: temperamento, gaiola, alimentação, saúde, esperança de vida, preços e legalidade CITES.

Ficha técnica
8 camposÁfrica subsariana e subcontinente indiano — florestas abertas, savanas e zonas agrícolas; populações ferais estabelecidas em várias cidades europeias
Inteligente, vocal, social com congéneres, reservado com humanos sem socialização precoce, capaz de imitar palavras
Voadeira ou gaiola muito ampla (mínimo 100×60×80 cm para um exemplar; ideal voadeira de 2 m de comprimento). Mínimo 2-3 horas diárias de voo livre fora da gaiola em divisão segura. Poleiros naturais de diâmetros variados, brinquedos de roer (madeira atóxica, couro vegetal), banho frequente.
180-400 € em criador anelado em Portugal (mutações de cor como lutino, azul ou albino podem ultrapassar os 500 €)
Visão geral
O Periquito-de-Colar (Psittacula krameri), também conhecido como periquito-rabijunco ou periquito-de-Kramer, é um psitacídeo de médio porte com uma cauda muito longa e o característico colar negro e rosa nos machos adultos. É uma das aves de companhia mais antigas registadas — já era mantida em cortes da Antiguidade — e mantém grande popularidade em Portugal devido à longevidade, beleza e capacidade vocal.
Não é, porém, uma ave para quem procura um companheiro de gaiola pequena e silencioso. Trata-se de um animal grande, longevo (pode acompanhar-se três décadas), barulhento e com necessidades de espaço e voo que ultrapassam largamente as de um periquito-comum ou de um canário. Antes de adquirir, é essencial perceber se você consegue oferecer voadeira, tempo diário e estabilidade durante 20 a 30 anos.
História e origem
O Periquito-de-Colar é nativo de duas grandes áreas geográficas: a faixa subsariana de África (do Senegal ao Sudão) e o subcontinente indiano, incluindo Paquistão, Índia, Nepal e Sri Lanka. Foi uma das primeiras aves exóticas a ser exportada para a Europa e há registos de exemplares mantidos em Roma, na Grécia clássica e mais tarde nas cortes europeias dos séculos XVI e XVII. A capacidade de aprender palavras tornou-o um símbolo de estatuto antes da existência de criação organizada.
Hoje a espécie é criada em cativeiro há gerações na Europa e existem populações ferais bem estabelecidas em Lisboa, Porto, Madrid, Bruxelas e Londres, descendentes de fugas e libertações. Em Portugal, a espécie consta do Anexo B da CITES (regulamento UE 338/97), o que obriga à posse de documento de origem (factura de criador anelado com anel fechado e DOI). A criação amadora seguiu de perto a escola britânica e holandesa, com inúmeras mutações de cor selectivamente reproduzidas a partir dos anos 70.
Características físicas
É um psitacídeo esguio e elegante, com cauda longa e afilada que representa praticamente metade do comprimento total. A coloração natural é verde-relva vibrante no corpo, com ligeiro tom turquesa na nuca, primárias mais escuras e cauda azulada na ponta. O bico é vermelho-coral robusto. Existe dimorfismo sexual marcado, mas só visível a partir dos 18-30 meses de idade.
- Macho adulto: apresenta um colar negro na garganta que se prolonga em rosa-malva pela nuca, ausente nos juvenis e nas fêmeas.
- Fêmea adulta e juvenis: sem colar visível ou com sombreado verde muito ténue à volta do pescoço; bico ligeiramente mais pequeno.
- Comprimento total: 38-42 cm, com a cauda a contribuir 18-22 cm.
- Envergadura: 42-48 cm — exige espaço de voo amplo.
- Mutações disponíveis em Portugal: lutino (amarelo), azul, cinnamon, albino (branco com olhos vermelhos), pied e cleartail. As mutações são mais caras e algumas associadas a maior fragilidade.
- Maturidade sexual: 2-3 anos; só então o colar do macho fica plenamente definido.

Temperamento e comportamento
O Periquito-de-Colar é uma ave inteligente, curiosa e dotada de boa capacidade de imitação vocal — não atinge o nível de um cinzento-africano, mas aprende facilmente 10 a 30 palavras e frases curtas se for treinado desde jovem. Em estado selvagem vive em bandos ruidosos, pelo que tem natureza gregária e vocaliza várias vezes ao dia, sobretudo ao amanhecer e ao fim da tarde. Os gritos de contacto são agudos e atravessam paredes finas com facilidade.
Com humanos é uma espécie que exige paciência: exemplares socializados desde o desmame podem tornar-se muito afectuosos e domados, mas adultos comprados sem manipulação prévia tendem a manter-se distantes e a morder quando se sentem encurralados. Não é uma ave que goste de ser agarrada — prefere pousar voluntariamente. Durante a maturação sexual (2-4 anos) muitos exemplares passam por uma fase territorial e mais bicadora, conhecida entre criadores como bluffing, que costuma atenuar com o tempo e treino consistente.
Cuidados (alimentação, exercício, grooming)
Gaiola/Voadeira: a gaiola mínima absoluta para um exemplar é de 100×60×80 cm com varões horizontais espaçados 1,8-2,2 cm. O ideal é uma voadeira de 2 m de comprimento, sobretudo se forem mantidos em casal. A cauda longa exige altura — gaiolas baixas provocam desgaste das pontas das penas. Coloque a gaiola num local com luz natural indirecta, ao abrigo de correntes de ar e longe da cozinha (vapores de teflon e fritos são tóxicos para todos os psitacídeos).
Alimentação: a base deve ser uma ração extrudida de qualidade para psitacídeos médios (40-50 % da dieta), complementada com mistura de sementes baixa em girassol, fruta fresca diária (maçã sem sementes, pêra, romã, frutos vermelhos) e legumes (cenoura, brócolos, pimento, couves). Evite abacate, chocolate, cebola, alho, cafeína e álcool — todos tóxicos. Disponibilize osso de choco e água limpa diariamente. Uma dieta exclusivamente de sementes provoca fígado gordo e morte prematura.
Tempo fora da gaiola e voo: mínimo 2 a 3 horas diárias de voo livre numa divisão segura, com janelas fechadas, espelhos cobertos, plantas tóxicas removidas e sem outros animais domésticos por perto. Sem voo regular a ave desenvolve obesidade e problemas comportamentais (auto-mutilação de penas).
Enriquecimento (brinquedos, banho, treino): ofereça poleiros naturais de diâmetros variados (oliveira, eucalipto, salgueiro), brinquedos de roer rotativos (renove-os a cada 2-3 semanas) e cordas. Banho — chuveiro suave ou pulverizador 2-3 vezes por semana — é essencial para a saúde da pluma. Sessões curtas de treino com reforço positivo (sementes de girassol como recompensa pontual) reduzem stress e fortalecem o vínculo.
Saúde e esperança de vida
O Periquito-de-Colar é, regra geral, uma espécie robusta quando bem alimentada, mas é particularmente sensível a erros nutricionais e a stress crónico. Em Portugal o número de veterinários com formação aviária é limitado — concentram-se sobretudo em Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve — pelo que convém identificar um clínico de referência ainda antes da chegada da ave. Uma consulta de rotina anual e exames de fezes são fortemente recomendados.
- PBFD (Psittacine Beak and Feather Disease): doença viral grave, transmissível e sem cura, que afecta penas e bico. Exige teste PCR antes da introdução de qualquer ave nova num plantel.
- Aspergilose: infecção fúngica respiratória causada por humidade excessiva, ventilação deficiente ou substrato bolorento. Sinais: respiração ofegante, mudança de voz, cauda em movimento ao respirar.
- Fígado gordo (lipidose hepática): consequência de dieta apenas de sementes oleaginosas. Sinais: bico crescido em demasia, penas amareladas, letargia.
- Polyomavirus aviário: sobretudo em juvenis; causa morte súbita ou penas deformadas.
- Ácaros respiratórios e do saco aéreo: tosse seca, espirros e perda de voz.
- Auto-mutilação de penas (feather plucking): origem comportamental ligada a tédio, solidão ou desequilíbrio hormonal — mais frequente em exemplares mantidos sozinhos sem estimulação.
Sinais de alerta que justificam consulta urgente: penas eriçadas durante o dia, ave no fundo da gaiola, fezes muito líquidas ou esverdeadas, respiração com bico aberto, recusa de comida por mais de 12 horas. Aves escondem doença até estádios avançados — qualquer alteração óbvia já é grave.
Adequação (apartamento, crianças, outros animais)
Iniciantes: não é a primeira escolha ideal. Exige mais espaço, mais tempo e mais conhecimento do que um periquito-comum ou canário. Quem nunca teve uma ave deve reflectir bem antes de assumir um animal de 25 a 30 anos de vida. Iniciantes motivados podem ter sucesso se investirem em formação prévia e adquirirem um exemplar jovem e socializado de criador português anelado.
Crianças: não é uma ave para manuseio infantil. O bico é potente e pode causar feridas com sangue. Crianças podem observar, ajudar a alimentar e participar no treino com supervisão, mas não devem agarrar a ave. A longevidade significa que o animal sobreviverá certamente à infância da criança que o pediu.
Apartamento (ruído): factor crítico. Os gritos de contacto matinais e crepusculares são audíveis a vários metros e atravessam paredes. Em apartamentos com vizinhos sensíveis pode tornar-se um problema sério. Considere voadeira em moradia ou divisão isolada com porta. A lei portuguesa (Decreto-Lei 9/2007) regula ruído de vizinhança a partir das 22h.
Tempo disponível diário: mínimo 2 horas de interacção activa e voo livre, mais 30-60 minutos de limpeza de gaiola, alimentação fresca e treino. Uma ave deixada 10 horas sozinha todos os dias na gaiola desenvolve quase invariavelmente problemas comportamentais.
Legalidade em Portugal: a espécie está listada no Anexo B do Regulamento CITES UE 338/97. É obrigatório que a ave possua anel fechado de criador com numeração registada e DOI (Documento de Origem) emitido pelo criador. Para fins de venda ou cedência o tutor deve conservar a documentação. A criação para reprodução requer comunicação ao ICNF.
Custos em Portugal
Aquisição (ave): 180-280 € para um exemplar verde natural, anelado, jovem e desmamado, em criador português registado. Mutações como lutino, azul ou cinnamon situam-se entre 300-500 €; albino e cleartail podem ultrapassar 600 €. Desconfie de preços muito baixos ou de exemplares sem anel — provavelmente são capturas ferais ilegais ou aves importadas sem documentação CITES.
Setup inicial (gaiola, poleiros, brinquedos): 250-500 €. Uma gaiola adequada de 100×60×80 cm parte dos 180 €; uma voadeira ronda os 400-700 €. Acrescente 30-60 € em poleiros naturais variados, 40-80 € em brinquedos de roer iniciais, 20-30 € em comedouros e bebedouros e 15-25 € em transporte para deslocações ao veterinário.
Mensal (sementes/ração, frutas, enriquecimento): 25-45 €. Inclui ração extrudida premium (15-20 €/mês), mistura de sementes complementar, fruta e legumes frescos, osso de choco e renovação periódica de brinquedos.
Veterinário aviário/imprevistos: consulta de rotina 50-90 €; análises de fezes e teste PCR para PBFD/polyomavirus 60-120 €. Reserve um fundo de emergência de 400-600 €/ano — uma cirurgia ou internamento aviário pode chegar facilmente aos 800-1500 €. Aves vivem 20-30 anos: o custo total ao longo da vida ultrapassa frequentemente os 12 000 €.
Perguntas frequentes
Sim, fala — mas com limites. Exemplares treinados desde jovens aprendem tipicamente entre 10 e 30 palavras e frases curtas, com voz nasalada característica. Não tem a clareza de um cinzento-africano nem aprende todos os exemplares. A capacidade depende da socialização precoce, da consistência do treino e do temperamento individual.
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