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Periquito-de-Colar

Tudo sobre o Periquito-de-Colar em Portugal: temperamento, gaiola, alimentação, saúde, esperança de vida, preços e legalidade CITES.

Periquito-de-Colar
Ilustração Wikibicho, a partir de fotografia de danielskatz · CC BY 4.0

Ficha técnica

8 campos
Grupo
Psittaciformes
Peso
110-140 g
Altura
38-42 cm de comprimento total
Vida
20-30 anos em cativeiro com cuidados adequados
Origem

África subsariana e subcontinente indiano — florestas abertas, savanas e zonas agrícolas; populações ferais estabelecidas em várias cidades europeias

Temperamento

Inteligente, vocal, social com congéneres, reservado com humanos sem socialização precoce, capaz de imitar palavras

Exercício

Voadeira ou gaiola muito ampla (mínimo 100×60×80 cm para um exemplar; ideal voadeira de 2 m de comprimento). Mínimo 2-3 horas diárias de voo livre fora da gaiola em divisão segura. Poleiros naturais de diâmetros variados, brinquedos de roer (madeira atóxica, couro vegetal), banho frequente.

Preço em Portugal

180-400 € em criador anelado em Portugal (mutações de cor como lutino, azul ou albino podem ultrapassar os 500 €)

Visão geral

O Periquito-de-Colar (Psittacula krameri), também conhecido como periquito-rabijunco ou periquito-de-Kramer, é um psitacídeo de médio porte com uma cauda muito longa e o característico colar negro e rosa nos machos adultos. É uma das aves de companhia mais antigas registadas — já era mantida em cortes da Antiguidade — e mantém grande popularidade em Portugal devido à longevidade, beleza e capacidade vocal.

Não é, porém, uma ave para quem procura um companheiro de gaiola pequena e silencioso. Trata-se de um animal grande, longevo (pode acompanhar-se três décadas), barulhento e com necessidades de espaço e voo que ultrapassam largamente as de um periquito-comum ou de um canário. Antes de adquirir, é essencial perceber se você consegue oferecer voadeira, tempo diário e estabilidade durante 20 a 30 anos.

História e origem

O Periquito-de-Colar é nativo de duas grandes áreas geográficas: a faixa subsariana de África (do Senegal ao Sudão) e o subcontinente indiano, incluindo Paquistão, Índia, Nepal e Sri Lanka. Foi uma das primeiras aves exóticas a ser exportada para a Europa e há registos de exemplares mantidos em Roma, na Grécia clássica e mais tarde nas cortes europeias dos séculos XVI e XVII. A capacidade de aprender palavras tornou-o um símbolo de estatuto antes da existência de criação organizada.

Hoje a espécie é criada em cativeiro há gerações na Europa e existem populações ferais bem estabelecidas em Lisboa, Porto, Madrid, Bruxelas e Londres, descendentes de fugas e libertações. Em Portugal, a espécie consta do Anexo B da CITES (regulamento UE 338/97), o que obriga à posse de documento de origem (factura de criador anelado com anel fechado e DOI). A criação amadora seguiu de perto a escola britânica e holandesa, com inúmeras mutações de cor selectivamente reproduzidas a partir dos anos 70.

Características físicas

É um psitacídeo esguio e elegante, com cauda longa e afilada que representa praticamente metade do comprimento total. A coloração natural é verde-relva vibrante no corpo, com ligeiro tom turquesa na nuca, primárias mais escuras e cauda azulada na ponta. O bico é vermelho-coral robusto. Existe dimorfismo sexual marcado, mas só visível a partir dos 18-30 meses de idade.

  • Macho adulto: apresenta um colar negro na garganta que se prolonga em rosa-malva pela nuca, ausente nos juvenis e nas fêmeas.
  • Fêmea adulta e juvenis: sem colar visível ou com sombreado verde muito ténue à volta do pescoço; bico ligeiramente mais pequeno.
  • Comprimento total: 38-42 cm, com a cauda a contribuir 18-22 cm.
  • Envergadura: 42-48 cm — exige espaço de voo amplo.
  • Mutações disponíveis em Portugal: lutino (amarelo), azul, cinnamon, albino (branco com olhos vermelhos), pied e cleartail. As mutações são mais caras e algumas associadas a maior fragilidade.
  • Maturidade sexual: 2-3 anos; só então o colar do macho fica plenamente definido.
Fotografia de Periquito-de-Colar
Fotografia: danielskatz · CC BY 4.0

Temperamento e comportamento

O Periquito-de-Colar é uma ave inteligente, curiosa e dotada de boa capacidade de imitação vocal — não atinge o nível de um cinzento-africano, mas aprende facilmente 10 a 30 palavras e frases curtas se for treinado desde jovem. Em estado selvagem vive em bandos ruidosos, pelo que tem natureza gregária e vocaliza várias vezes ao dia, sobretudo ao amanhecer e ao fim da tarde. Os gritos de contacto são agudos e atravessam paredes finas com facilidade.

Com humanos é uma espécie que exige paciência: exemplares socializados desde o desmame podem tornar-se muito afectuosos e domados, mas adultos comprados sem manipulação prévia tendem a manter-se distantes e a morder quando se sentem encurralados. Não é uma ave que goste de ser agarrada — prefere pousar voluntariamente. Durante a maturação sexual (2-4 anos) muitos exemplares passam por uma fase territorial e mais bicadora, conhecida entre criadores como bluffing, que costuma atenuar com o tempo e treino consistente.

Cuidados (alimentação, exercício, grooming)

Gaiola/Voadeira: a gaiola mínima absoluta para um exemplar é de 100×60×80 cm com varões horizontais espaçados 1,8-2,2 cm. O ideal é uma voadeira de 2 m de comprimento, sobretudo se forem mantidos em casal. A cauda longa exige altura — gaiolas baixas provocam desgaste das pontas das penas. Coloque a gaiola num local com luz natural indirecta, ao abrigo de correntes de ar e longe da cozinha (vapores de teflon e fritos são tóxicos para todos os psitacídeos).

Alimentação: a base deve ser uma ração extrudida de qualidade para psitacídeos médios (40-50 % da dieta), complementada com mistura de sementes baixa em girassol, fruta fresca diária (maçã sem sementes, pêra, romã, frutos vermelhos) e legumes (cenoura, brócolos, pimento, couves). Evite abacate, chocolate, cebola, alho, cafeína e álcool — todos tóxicos. Disponibilize osso de choco e água limpa diariamente. Uma dieta exclusivamente de sementes provoca fígado gordo e morte prematura.

Tempo fora da gaiola e voo: mínimo 2 a 3 horas diárias de voo livre numa divisão segura, com janelas fechadas, espelhos cobertos, plantas tóxicas removidas e sem outros animais domésticos por perto. Sem voo regular a ave desenvolve obesidade e problemas comportamentais (auto-mutilação de penas).

Enriquecimento (brinquedos, banho, treino): ofereça poleiros naturais de diâmetros variados (oliveira, eucalipto, salgueiro), brinquedos de roer rotativos (renove-os a cada 2-3 semanas) e cordas. Banho — chuveiro suave ou pulverizador 2-3 vezes por semana — é essencial para a saúde da pluma. Sessões curtas de treino com reforço positivo (sementes de girassol como recompensa pontual) reduzem stress e fortalecem o vínculo.

Saúde e esperança de vida

O Periquito-de-Colar é, regra geral, uma espécie robusta quando bem alimentada, mas é particularmente sensível a erros nutricionais e a stress crónico. Em Portugal o número de veterinários com formação aviária é limitado — concentram-se sobretudo em Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve — pelo que convém identificar um clínico de referência ainda antes da chegada da ave. Uma consulta de rotina anual e exames de fezes são fortemente recomendados.

  • PBFD (Psittacine Beak and Feather Disease): doença viral grave, transmissível e sem cura, que afecta penas e bico. Exige teste PCR antes da introdução de qualquer ave nova num plantel.
  • Aspergilose: infecção fúngica respiratória causada por humidade excessiva, ventilação deficiente ou substrato bolorento. Sinais: respiração ofegante, mudança de voz, cauda em movimento ao respirar.
  • Fígado gordo (lipidose hepática): consequência de dieta apenas de sementes oleaginosas. Sinais: bico crescido em demasia, penas amareladas, letargia.
  • Polyomavirus aviário: sobretudo em juvenis; causa morte súbita ou penas deformadas.
  • Ácaros respiratórios e do saco aéreo: tosse seca, espirros e perda de voz.
  • Auto-mutilação de penas (feather plucking): origem comportamental ligada a tédio, solidão ou desequilíbrio hormonal — mais frequente em exemplares mantidos sozinhos sem estimulação.

Sinais de alerta que justificam consulta urgente: penas eriçadas durante o dia, ave no fundo da gaiola, fezes muito líquidas ou esverdeadas, respiração com bico aberto, recusa de comida por mais de 12 horas. Aves escondem doença até estádios avançados — qualquer alteração óbvia já é grave.

Adequação (apartamento, crianças, outros animais)

Iniciantes: não é a primeira escolha ideal. Exige mais espaço, mais tempo e mais conhecimento do que um periquito-comum ou canário. Quem nunca teve uma ave deve reflectir bem antes de assumir um animal de 25 a 30 anos de vida. Iniciantes motivados podem ter sucesso se investirem em formação prévia e adquirirem um exemplar jovem e socializado de criador português anelado.

Crianças: não é uma ave para manuseio infantil. O bico é potente e pode causar feridas com sangue. Crianças podem observar, ajudar a alimentar e participar no treino com supervisão, mas não devem agarrar a ave. A longevidade significa que o animal sobreviverá certamente à infância da criança que o pediu.

Apartamento (ruído): factor crítico. Os gritos de contacto matinais e crepusculares são audíveis a vários metros e atravessam paredes. Em apartamentos com vizinhos sensíveis pode tornar-se um problema sério. Considere voadeira em moradia ou divisão isolada com porta. A lei portuguesa (Decreto-Lei 9/2007) regula ruído de vizinhança a partir das 22h.

Tempo disponível diário: mínimo 2 horas de interacção activa e voo livre, mais 30-60 minutos de limpeza de gaiola, alimentação fresca e treino. Uma ave deixada 10 horas sozinha todos os dias na gaiola desenvolve quase invariavelmente problemas comportamentais.

Legalidade em Portugal: a espécie está listada no Anexo B do Regulamento CITES UE 338/97. É obrigatório que a ave possua anel fechado de criador com numeração registada e DOI (Documento de Origem) emitido pelo criador. Para fins de venda ou cedência o tutor deve conservar a documentação. A criação para reprodução requer comunicação ao ICNF.

Custos em Portugal

Aquisição (ave): 180-280 € para um exemplar verde natural, anelado, jovem e desmamado, em criador português registado. Mutações como lutino, azul ou cinnamon situam-se entre 300-500 €; albino e cleartail podem ultrapassar 600 €. Desconfie de preços muito baixos ou de exemplares sem anel — provavelmente são capturas ferais ilegais ou aves importadas sem documentação CITES.

Setup inicial (gaiola, poleiros, brinquedos): 250-500 €. Uma gaiola adequada de 100×60×80 cm parte dos 180 €; uma voadeira ronda os 400-700 €. Acrescente 30-60 € em poleiros naturais variados, 40-80 € em brinquedos de roer iniciais, 20-30 € em comedouros e bebedouros e 15-25 € em transporte para deslocações ao veterinário.

Mensal (sementes/ração, frutas, enriquecimento): 25-45 €. Inclui ração extrudida premium (15-20 €/mês), mistura de sementes complementar, fruta e legumes frescos, osso de choco e renovação periódica de brinquedos.

Veterinário aviário/imprevistos: consulta de rotina 50-90 €; análises de fezes e teste PCR para PBFD/polyomavirus 60-120 €. Reserve um fundo de emergência de 400-600 €/ano — uma cirurgia ou internamento aviário pode chegar facilmente aos 800-1500 €. Aves vivem 20-30 anos: o custo total ao longo da vida ultrapassa frequentemente os 12 000 €.

Perguntas frequentes

Sim, fala — mas com limites. Exemplares treinados desde jovens aprendem tipicamente entre 10 e 30 palavras e frases curtas, com voz nasalada característica. Não tem a clareza de um cinzento-africano nem aprende todos os exemplares. A capacidade depende da socialização precoce, da consistência do treino e do temperamento individual.

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